domingo, 17 de maio de 2026

Minha natureza

Escrito em: 17.05.26

Nunca fui muito de querer que os outros fossem meus pais, até porque nunca soube o que era ter uma mãe e meu pai cumpria com suas próprias obrigações, mas deixava claro que isso era somente um papel que ele deveria exercer, mais ninguém. Não me deram o direito de estacionar, "constância e foco sempre", esse é o lema da minha criação. Por essa lógica, minhas ações e reações ao comportamento de outros sujeitos são influenciadas por essa frase, e já percebo há anos que muitos não aceitam essa visão de mundo e dinâmica de vida por... Enfim, seja lá os motivos. Só muito recentemente, acho que com os meus 17 anos, que aprendi sobre a "coerência existencial", a correspondência entre o que se faz e o que se fala, que se relaciona com o modo como existimos no mundo. É claro que já ouvi argumentos do lado que não deseja essa coerência, as afirmações são sempre as mesmas: "É porque não é tão difícil conviver com a pessoa apesar de tudo...", "Mas acho que mesmo assim...", "Porque pode ser benefício no futuro...", "Porque convivemos juntos...". Nada disso me convenceu do contrário ao que penso. Se nossos valores são sólidos e nosso caráter é estruturado corretamente, não penso que seja uma boa ideia viver por interesses, porque essa é a palavra que define tudo isso ao meu ver: interesses. Não sei se foram as várias experiências em um curto espaço de tempo que me fez fugir disso tudo, mas não sinto necessidade de manter relações não genuínas com alguém que claramente nem gosta de mim. E o problema não é o outro não gostar, mas eu saber disso e querer continuar perto. Qual é o sentido? O caminho pelo afastamento parece tão mais convidativo do que a atuação que hoje em dia já nem penso muito, corto o laço e fico com meus próprios pensamentos e, claro, com quem quer realmente estar comigo. Não me envolvo nas questões alheias e não aceito imposições dos outros para que eu compreenda certos comportamentos que querem que eu ache que são justificáveis devido a essas questões mas não são. Não posso estancar ferimentos que não foram eu que causei, não posso agir como alguém que se importa porque não me importo. Da mesma forma, não quero que se importem comigo além do necessário ou do que é saudável. E, no fundo, ninguém entenderia, porque só podemos compreender a nós mesmos enquanto somos quem nós somos. Eu não espero compreensão, porque ninguém deve a mim compreensão. Não posso fazer exigências, da mesma forma que não faço concessões. Esse negócio do utilitarismo das relações humanas me parece brega ao extremo e totalmente inadequado. Não, nós não precisamos tanto assim dos outros e acho que as pessoas se surpreenderiam se colocassem em prática um princípio muito simples e aplicável a toda hora: faça mais coisas sozinho, você consegue e perceberá que esse tanto de ajuda que vc se convence de que precisa do outro, na verdade, é apenas uma ilusão. Ao final do dia, a sensação de saber que suas próprias ações te colocaram onde você está é maravilhosa. A vida não é tão complicada quanto o mundo virtual faz parecer e, se querem um conselho: deixe um pouco de lado o celular e vai viver, mas no mundo real, que é, no fim das contas, o único mundo que temos.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Minha natureza

Escrito em: 17.05.26 Nunca fui muito de querer que os outros fossem meus pais, até porque nunca soube o que era ter uma mãe e meu pai cumpri...