sábado, 17 de janeiro de 2026

Ideias de um dia chuvoso

 Escrito em 16/12/2024


Sentado em uma cadeira dura na frente do computador da UEA, escrevo para apenas um par de olhos verem. Essa escrita por enquanto não é destinada para outro alguém, mas o foco não é esse e também isso pode mudar com o tempo. Quando olho pra cima, vejo as janelas molhadas da biblioteca pelas gotas da tempestade descendo devagar, uma a uma, dezembro quando chega já profetiza o milagre nordestino no meio da Amazônia. Todos já sabem que a natureza já não é a mesma de tempo anteriores, mas, durante a rotina, os escravos do capitalismo não têm tempo pra ligarem pra isso ou, se notam, fingem não se importar, se é que se importam mesmo. É disso que passei a duvidar, passei a questionar tudo a minha volta e com razão. A corrupção americana vai pouco a pouco contaminando o resto de humanidade que ainda nos sobra, vai acabando ao mesmo tempo com suas presas, a parte latina tão odiada do continente. Mas porquê disso? É uma pergunta que deve ser respondida pelos antepassados colonizadores que, por um tempo, só incomodavam o Velho Mundo, mas depois espalharam-se por aí se achando os reis da Terra. Não sei se me cabe alguma fala nessa situação, quando olho pra janela de um passado que não vivi, mas que ajudou a me fazer quem sou, eu sinto um confusão imensa. Acho que essa é a maldição de ser mestiço, sou como um balde que capturou tanto a água do rio Negro quanto o rio Solimões. Sou o que junta as duas águas diferentes, mas no fundo ainda são apenas águas, um é o que o outro também é. Se são a mesma coisa depois de se analisar bem então o que me causa esses sentimentos estranhos? Bom, quando se sabe que seu tataravô escravocrata chicoteava e torturava sua tataravó escravizada, sua percepção de mundo muda e garanto que bastante. Ninguém é o mesmo quando enfrenta de frente as questões de uma época que formaram as gerações até chegar a sua, sejam elas raciais, étnicas, morais e etc. Se ao menos as pessoas sempre soubessem que todos nós somos apenas águas, o mundo seria melhor, somos como a água que está presente nessas gotas que caem da chuva, que estão molhando as janelas da biblioteca, nessa vasta cidade amazônica, em meio a um ecossistema que está prestes a rachar. Realmente, hoje está um ótimo dia para tomar um chá e ficar embaixo do cobertor, tenho a sensação de que esqueci alguma coisa no varal de casa, será que o ônibus já vai passar?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Testemunho de uma indignação que não pode ser entendida como tal

 Durante a noite do dia 14 de fevereiro, em meio ao verão amazônico, estava conversando com Geraldo. Nossa relação não pode ser definida com...