sábado, 17 de janeiro de 2026

O que fazer pelos nossos?

 Escrito em 23/09/2025


“E” e “D” se casaram em 1966, numa época em que as informações eram mais difíceis de serem compartilhadas. Nenhum deles sabia o que rolava nos grandes centros urbanos do país, vivendo desde o nascimento em terras interioranas do sertão baiano. Se perguntassem aos dois sobre a perspectiva de futuro que tinham, você não ouviria sequer o pensamento de que um lápis e um caderno eram uma possibilidade para eles. “E” aprendeu desde cedo pelo seu pai que a verdadeira vocação do homem é o trato da terra, enquanto “D” nunca foi ensinada a ser alguém além de uma mulher de prendas domésticas. O que restou aos dois nos anos que ainda tinham pela frente? Cuidar dos filhos que viriam mais tarde e envelhecer um ao lado do outro, e foi isso que aconteceu. Nunca esqueceram de incentivar aos seus descendentes aquilo que acreditavam ser o melhor. A enxada cobrava o seu preço, e a sensação de impossibilidade era companheira constante dos dois. Foi tentando lutar contra isso que viram suas criações atingirem patamares jamais imaginados. Décadas depois, “D” se foi, mas saiu desse mundo com a certeza de que viveu da melhor forma que pôde, enquanto “E” ficou por aqui, vivendo o que ainda tinha para ser vivido. Essa não é apenas uma história sobre humildade, companheirismo e vitória. Essa é a história dos meus avós. Seus esforços se refletem em mim hoje, eles que deram ao meu pai a chance de sorrir, e a mim a chance de correr gargalhando pelo mundo afora.

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